quarta-feira, 9 de outubro de 2024

o quanto baste

Pergunta-se o amor perdido
Onde mora o alento de suas dores?

Responde-se de iniciativa
Que na beira do rio que corre de seus olhos
Não há tal alívio
Que na razão de mil criações geniais
Não há o conforto
Que na soma dos amores de uma vida
Não há mais que a ilusão
De que ter amado bastou.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

A saga do morto-morto

Houve um tempo que já fui coração
Mas aí me fizeram cabeça e mão.
Virei pernas, fígado, barriga,
Pressa, ódio, fome e fadiga.
Onde houve cabeça há uma imensidão
E um buraco vertendo dor onde fui coração.
Hoje sou pele, osso, corpo, só,
Sozinho, torto, morto, pó.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Haja perseverança

O buraco na finança

A mente cheia de lambança 

Que carga chata dessa andança, 

mas como cansa! 

 

Segue o baile, puxa pra dança 

Balança o cansaço que tu alcança 

Porque afinal tu já não é criança 

Quem não se atira não avança

 

Mete o loco, corre e se lança

Senão perde o trem da bonança

Engole o sapo que cai na pança

E se engasgar? Deixa na lembrança!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Soneto Entediante

Se me atordoa o peito
Sufoco desconcertante,
É que incerto é feito
O irresoluto instante.

E rui a vontade certa,
E gargalha a indecisão.
E à opção desperta
Responde-se com o 'não'!

Tempo podre, malfazejo...!
Que avilta o prazer
Num incessante assédio,

Vá-se, daqui passe logo
Que já não posso sofrer;
Leve pra longe este tédio!


André Santos de Medeiros
08.01.2012 às 02:18

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Quarto

Era o tempo mais bem gasto.
Eram os beijos cálidos e amorosos, o toque gentil.
Dos lençóis de seda ao robe de algodão, espesso.
A música envolvente, o vinho aconchegante e a luz cintilante.
Era a noite infinita e a companhia agradável.
Era o fim da solidão, a consumação do prazer. O encontro.
A paixão e o sorriso, a saliva.
Os dedos eram entrelaçados, assim como as pernas.
Assim como as vontades.
Era o sol que ainda não era altivo e a lua que ainda era presente.
Era o presente que era recebido com sorriso e o sorriso que era falso.
E eram as cinco notas que pagavam a felicidade.
Era o tempo mais bem gasto.
No fim, foi o engano.


André Santos de Medeiros
20.09.2010 às 09:49